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Agora, passados que são 30 anos… PDF Imprimir e-mail
28-Jan-2010
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…Pois, como diz o povo, “o tempo voa”! Voa, e de que maneira…

Quando, em Setembro de 1979 dei os primeiros passos pela mão dos Mestres  Alves Costa e Leonel Cavaco, estava bem longe de imaginar onde esta paixão me poderia levar.

 

Nesta carreira, vivida com bastantes “solavancos”, aprendi que, muitas vezes, não adianta seguir por caminhos para os quais não estamos minimamente talhados, em especial aqueles de cariz político.

 

Após as primeiras provas do final do ano de 1979, e já com os 18 anitos feitos, entrei no ano de 1980. A moda era o Karting. Categorias QB e participantes para dar e vender, com grelhas de fazer inveja a qualquer série ou campeonato dos dias de hoje, mesmo a nível internacional. O kartódromo do Estoril estava na moda, pois o mundial de Karting por lá se tinha realizado, em Setembro de 1979 ganho por um jovem holandês de nome Peter de Koene. A título de curiosidade, lembro, e lembro-me, que por lá passou um tal menino de nome Ayrton Sena da Silva, na altura utilizava um dorsal com o número 15.

 

Bom, mas voltando ao kartódromo, a sequência de postos era uma coisa assaz curiosa. No posto 1, Alves Costa; na esquerda do Posto 2, Leonel Cavaco; na direita do posto 3, António Gonçalves; na esquerda seguinte, Posto 4, o “tal aprendiz de feiticeiro”, Eduardo Freitas.

 

Nestas circunstâncias, com 3 “dinossauros” a antecederem-me, foi como se estivesse instalado num camarote, e de 1ª ordem! Eles tinham o trabalho… e eu lá ia aprendendo.

Na altura, o conceito de posto era meramente simbólico, pois o posto era onde o comissário estava, e podia variar com a categoria que, no momento, evoluísse na pista. Lembro-me que com a célebre categoria verde, os postos eram metodicamente mais afastados da pista, pois a grelha era composta por 30 rapazes, com cada um a esmerar-se mais que o outro, para, cabalmente, demonstrarem as suas faltas de capacidade, no que concerne ao respeito dos limites da pista.

 

Já a categoria internacional de 100cc era um mimo. As batalhas eram inolvidáveis! Havia nomes de peso, e a coisa fiava muito fino. Havia ainda a livre 125 cc (karts com caixa), e a categoria branca, também de 125cc, e caixa, mas com um lote de candidatos semelhante ao da categoria verde.

 

O kartódromo, no que tocava à pista, tinha como que umas “repúblicas de comissários”. Havia o miolo, recta das boxes, curva do Diniz, curva do bar, curva da torre e pessoal da recta.

 

Cada república tinha o seus “macanudo” para assegurar as comunicações.

No meu caso, o “macanudo” que me estava atribuído era o Abreu, que tinha o Rádio dentro do Fiat 127, que muito jeito dava para manter uma distância entre as formigas, e as “sandochas”.

 

Os treinos cronometrados do Karting, eram, naquela altura, no sistema de um kart de cada vez, com direito a uma volta lançada. Uma seca, do pior que se possa imaginar, especialmente depois de uma noite de copos!... Aqueles sábados de manhã, com ressaca, e um sol de frente, serviram para muitos aprofundarem a técnica de dormir de pé. Asseguro-vos que, nesta matéria, havia doutorados, e dois ou três com pós-graduação…

Ao sábado á tarde começava a verdadeira adrenalina. Iniciavam-se as mangas de qualificação, para domingo, então, se fazerem as mangas de repescagem e, finalmente, as tão ansiadas corridas.

 

A nível de grelhas, mal saía uma para a pista, entrava a seguinte para a pré-grelha. Tempo para intervalos só mesmo ao fim do dia! Era uma espécie de filme com sessões contínuas!... Afinal, aquilo que era a razão de ser da nossa presença!

 

O tempo foi passando, e as repúblicas foram alteradas. Houve algumas deserções do pessoal do miolo para outras repúblicas, e havia sempre gente nova a entrar, e gente menos nova a sair. Era a renovação constante.

 

Os postos de eleição eram: fim da recta, P1; curva 2, P2; curva das boxes, P9; curva da bomba, P10; curva do Diniz, P11; curva do bar, P12.

 

P1-fim de recta – Nas partidas, aquilo era alucinante, especialmente nas partidas lançadas. Uma direita a 90º em que os erros se misturavam com palha e pneus. Acreditem que não era necessário ter muito boa vontade para “kitar” o kart com uns belos fardos de palha. A curva 2 era a ressaca da curva 1, pois era uma esquerda a 90º onde, em lugar de palha, havia rede com postes de madeira. A título de curiosidade, numa das minhas primeiras provas, e após uma partida, olho para o P2 e vejo o Mestre Cavaco a apresentar uma bandeira amarela e uma bandeira verde, alternadamente. Ora, aquilo, os Mestres não me tinham ensinado! Estava a sentir-me defraudado…No fim da manga fui ao Mestre pedir esclarecimentos sobre tão estranho procedimento.

Aqui, o dito Cavaco, numa linguagem pouco digna de transcrição, lá me explicou que um dos primeiros se tinha atravessado, e o resto do pelotão entendeu que a parte do posto era pista alternativa. Assim sendo, foi obrigado a efectuar uma dança de saltos, de fazer inveja a qualquer bailarino credenciado. Feitas as contas, tinha, numa das botas, tinta vermelha que, após aturada análise, deduzimos que era de um Chassis Swiss Hutless.

 

P9-curva das boxes  – A pista era separada das boxes por uma linha de fardos de palha. Convenhamos que esta linha de fardos era muito dinâmica…

 

P10-curva da bomba – O posto mais difícil que já vi! Estava no interior da curva, e tinha uma amplitude de mais de 225º!!! Como devem imaginar, não era nada fácil. O único que conseguia ficar lá, e após muitos por lá terem passado, acabou por ser o Gonçalves.

P11-curva do Diniz – Tinha o nome de um grande piloto da altura. Tinha o nome dele, porque  era aí o seu local de eleição para destruir o kart, bandeiras, extintores, e, por várias vezes, até as redes de segurança!... “Opps” já me esquecia do balde do absorvente… Era frequente haver um piloto com o fato, e o respectivo kart, aparecerem com uma decoração a tons de cinza claro… Era o Diniz, que já se tinha despistado na sua curva predilecta!...

 

P12-curva do bar – Como imaginam, era perto do bar. Esta tinha a particularidade de os acidentes não necessitarem que a equipa de primeiros socorros se deslocasse, pois os coitados acabavam, de forma metódica, à porta do centro médico, com Kart e tudo…

 

Bom, isto já vai longo, e tenho de me dedicar a outros textos. Tenho um 2010 com uns novos desafios, e fizeram-me um upgrade. Após 110(!) corridas de WTCC, fui convidado a lançar o novo Campeonato Mundial de FIA GT. A título de brinde, apanho também com os Europeus de GT2 e GT3. Não vou perder a adrenalina dos “toques” de Turismos, pois os GT3 já vão por esse caminho… Deixo o meu ex adjunto Mirek como Director do FIA WTCC, e eu sigo para outras paragens, com uma nova empreitada.

 

A todos uma excelente época de 2010 que, para a nossa ACDME, se adivinha recheada de excelentes provas. Nada me move contra o belíssimo complexo do AIA, mas (aqui talvez a nostalgia a falar) gostava ter mais actividade no circuito que foi o berço desta minha vida desportiva.

 

Eduardo Freitas

Sócio número 8

 

Actualizado em ( 28-Jan-2010 )
 
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