Início arrow Notícias arrow Pesquisa de Notícias arrow Notícias arrow A Arte de Bem Fazer....
A Arte de Bem Fazer.... PDF Imprimir e-mail
11-Jul-2011

2803 Visitas

Do nosso amigo e consócio Jorge Gonçalves recebemos, a propósito da nossa ida ao Circuito da Boavista, o texto que segue em anexo neste Link.

 

A ARTE DE BEM-FAZER!

“Mas às crianças, Senhor,

Porque lhes dais tanta dor,

Porque padecem assim?!...”


Vieram para aqui à baila estes versos de Augusto Gil ,que me parecem perfeitamente ajustados a parte do que se passou no circuito da Boavista no passado dia 2, porque na verdade para mim as crianças têm um valor incalculável, e NADA é mais importante do que conseguir vislumbrar, nos seus rostos, um sorriso de verdadeira e incontida satisfação, mesmo que isso se possa dever a circunstâncias menos felizes.

Nesse dia, no final das atividades ditas desportivas, foi-nos pedido um período suplementar, para que, ao que nos foi dito, crianças com deficiências físicas pudessem disfrutar de sensações que, possivelmente, não tiveram nunca a veleidade de poder sequer sonhar. Quanto mais ter...

O infortúnio que bateu à porta dessas crianças, cerceando-lhes a possibilidade de serem consideradas, por alguns membros da sociedade onde estão inseridas, “crianças normais”, concede-lhes o direito de terem  o nosso incondicional apoio, não como caridadezinha encapotada, mas, outrossim, como prémio ao seu estoicismo e às profundas e valiosas lições de vida que muitas dessas crianças dão àqueles que, tendo ao seu inteiro dispor todas as faculdades físicas com que foram presenteados, teimam em lamentar-se por tudo e por nada, como se de míseros desgraçadinhos se tratassem!  A esses, pseudo- infelizes, talvez não fosse desaconselhável OLHAREM, mas com olhos de ver, as verdadeiras lições de apego à vida, de força de vontade indomável, de luta, quantas vezes inglória, contra tudo aquilo com que o “infortúnio” teimou em presente-á-los! Se o fizerem, talvez acordem, e pensem melhor no privilégio que têm em poder ser, pela “tal” sociedade, considerados “pessoas normais”! Antes de se lamentarem, PENSEM! Era bem melhor.

Por esta alegria que tive a sorte de poder ajudar a concretizar, pelos sorrisos que, por certo, tive a benesse de poder proporcionar, estou contente, MUITO  CONTENTE, comigo mesmo. Sempre estive, estou, e julgo poder dizer que continuarei a estar, ao lado de uma CAUSA JUSTA, de uma  BOA CAUSA! Sempre presente!

 

...E A ARTE DE MAL NOS FAZER!

Este foi  o 4º ano que passei pelo circuito da Boavista. Até agora, tive a sorte de não falhar nenhum, o que muito me satisfaz, em especial porque, nesta nova fase, estive no mesmo de uma forma bem diferente da que estive nos primórdios deste emblemático circuito. E já lá vão uns quantos anos...

Desde 2005, data em que nós, ACDME, começámos a estar presentes no circuito, que os problemas com a nossa alimentação, no que ao almoço diz respeito (esquecemos os problemas tidos com o jantar deste ano) são uma constante, que, infelizmente, se vêm repetindo ano após ano, sem solução à vista, até agora.

Em 2005, como era o primeiro ano da nova era, foi-se dando o benifício da dúvida, na esperança de que as pessoas com algum quinhão de responsabilidade pudessem limar as arestas, quase inevitáveis, que nesse mesmo ano existiram. As experiências tidas, o reconhecimento dos erros cometidos, a natural vivência com gentes experimentadas, a aprendizagem que o fazer das coisas naturalmente trouxe, fizeram-nos alimentar algumas esperanças de que aquela “maldade” não se voltasse a repetir. Os mais otimistas pensavam assim.

Puro engano!

Em 2007 até intoxicações alimentares houve! E nada foi feito no sentido de melhorar este estado de coisas. Em 2009 as coisas ficaram rigorosamente na mesma! E eis que somos chegados ao ano de 2011! A amostra com que nos presentearam  no primeiro fim-de-semana, para não variar, não indiciava nada de bom para o fim-de-semana  seguinte. E as nossas “esperanças” tiveram TOTAL confirmação! Quem de direito esmerou-se, e fez questão em não deixar  os seus créditos por mãos alheias, no sentido de não defraudar as nossas espetativas. Haverá  uma norma a manter, uma norma que terá que ser defendida com unhas e dentes: A ARTE DE MAL SERVIR OS LACAIOS! Se já assim é há tantos anos, porque razão este estado de coisas TERIA que ser, agora, modificado?! NUNCA!!! Eles aguentam! Ou, se preferirem, eles comem (ou não comem...) e...CALAM! E já se sabe, antecipadamente, que voltarão  sempre que forem chamados! É a paixão!

Mas este último fim-de-semana do circuito da Boavista foi diferente! Especialmente o dia de sábado, 2! O que se passou nesse dia, moralmente tão gratificante no seu final, NO TRATAMENTO QUE FOI DADO AOS COMISSÁRIOS, e não só, ultrapassou as raias de tudo o que poderia ser considerado admissível! Pelo meu espírito, o sentimento da escravisação perpassou algumas vezes! Aquilo a que nos sujeitaram foi mau de mais para ser verdade! Tivemos, como já muitas mais vezes aconteceu, um tratamento ADC (ABAIXO DE CÃO)! E estoicamente aguentámos, firmes e hirtos! Derreados, pois a alvorada tinha sido às 5h e 30m, pelo menos para alguns, esfomeados, é certo, mas por lá nos mantivemos, em prol de uma boa causa. Estar a pé firme, até cerca das 20h e 30m naquelas circunstâncias, com as condições como as que um circuito citadino oferece, merecia um tratamento mais HUMANIZADO!!! Ou será que não o merecemos? Se calhar!...

Se isto fosse caso virgem, a nossa tolerância nem sequer nos permitiria qualquer tipo de comentário menos ajustado à situação. O pior é que, INFELIZMENTE, coisas deste tipo já se tornaram tão comuns, que já são o “pão nosso de cada dia”. O que é bem pior, é que, QUEM DE DIREITO, entidades organizadoras, assiste, do alto da sua cátedra, plácida, teimosa e impunemente a todo este estado de coisas que, pelos vistos, terão o condão de se eternizar, dado que essas mesmas entidades, quais “tio Patinhas  fomenta, por interesses à nossa margem,que nem sequer ouso comentar, por NADA, mas mesmo nada ter que ver com eles, todo os atentados de que somos, INCONTESTAVELMENTE, vítimas! No tal  tempo da “carne para canhão”, não era nada que um “levantamento de rancho” não resolvesse!... Outros tempos, outras carnes!...

Julgo que depois de TUDO o que se passou no circuito da Boavista, de TUDO o que se tem passado em tudo o que é sítio, talvez seja chegada a altura de os Comissários começarem, de novo, a serem olhados e vistos como GENTE que são! BASTA de tratamento inhumano! Até mesmo o mercenarismo de que somos amiude  acusados tem os seus limites! O apego e o amor à camisola não podem ser aproveitados para, sobre eles, ser exercida a exploração pura e simples de um gosto e de uma paixão sem limites! Há um limite mínimo de respeito e de consideração exigíveis! Julgo que nós, Comissários, já demos provas mais que suficientes no sentido de podermos arrogar o direito de merecermos outro tipo de tratamento! SOMOS PESSOAS a quem, por habituação, são pedidos sacrifícios. SOMOS PESSOAS que, por norma, nos sacrificamos. Face a isto, eis a pergunta que se impõe:- PARA QUANDO O SACRIFÍCIO DOS “tais” EM PROL DOS COMISSÁRIOS, e não só?

Se calhar tudo isto não passa de um chorrilho de inverdades, de uma conversa da treta!!!...

Jorge gonçalves

ACDME 108

 

P.S.:- Calculo que muitos poderão pensar que eu, face à minha colocação privilegiada na pista, junto das “minhas amigas” da Vilarinha, graças à boa vontade dos responsáveis da ACDME, que MUITO AGRADEÇO, não me deveria estar a meter neste tipo de coisas, por não as ter sentido completamente. PURO ENGANO! A minha postura na vida SEMPRE teve uma componente SOLIDÁRIA, constante! SEMPRE pugnou contra os que, teimosamente, tendem,  a injustiçar tudo e todos! Assim sendo, não poderia ficar impávido e sereno a assistir a mais umas diatribes vindas dos que, teimosamente, julgam que têm o direito de espezinhar todos os demais. E SEMPRE erguerei o meu grito de revolta, sejam quais forem as consequências que daí possam advir. Aqui, reina a força da razão! Isso me basta!!!

Se leram isto até ao fim, MUITO OBRIGADO!

Actualizado em ( 11-Jul-2011 )
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >

Procurar